Quando eu era adolescente, aquela faixa entre 14-16 anos, na
qual as meninas ficam vaidosas, minha mae me cobrava que eu me arrumasse mais,
usasse brinco, um “batomzinho” como ela dizia rs... eu sempre tive essa cara de
metida, mas a verdade é que sempre fui mais despojada, quase tudo meu é básico:
é o mesmo brinco até acabar, a mesma roupa praticamente, o mesmo tênis, os
mesmos saltos preto ou nude básicos. Sempre me dei muito bem com o linguajar
masculino, sempre achei mais fácil lidar com a pouca complexidade desse outro
mundo, sempre me senti confortável de ser eu. Não lembro de ter assistido muito
filme de princesa, nem de herói; lembro do Pernalonga, do patodonalds, do
castelo ra-tim-bum e só... então não fui criada, dentro de casa, pensando em
ser uma princesa à espera de um príncipe. Mas ao longo dos anos percebi algo que me incomodava muito: quando eu me expressava a respeito de qualquer coisa
que eu fosse contra a uma atitude masculina eu era taxada de “feminista” (eu
nem sabia o que isso significava) o que me fez ter uma breve e errônea relação com
essa palavra. Inconscientemente eu entendia que se eu era taxada assim é porque
não era legal defender os assuntos dos quais eu defendia. Mas o tempo foi
passando e o incomodo a respeito dos assuntos não mudava...
Só para contextualizar e até me dar credibilidade rs: eu sou casada, eu
decidi espontaneamente me casar aos 20 anos, quando aos olhos do resto do mundo
isso é a maior loucura. Quando eu estava tao nova e tinha tantas coisas pra
aproveitar - como me disseram. Olhe, se eu não tivesse casado, provavelmente aquela
menina de 20 anos continuaria dentro da cabeça dessa mulher de 27 anos hoje também.
Entao já que sou casada e casei cedo e casei porque eu queria, eu acredito na
propriedade que tenho pra falar sobre isso. E isso é: por que as vidas das moças
da igreja parecem se resumir a se preparar pra casar, ser recatada e do lar,
saber cozinhar e deixar a casa arrumada, estar linda quando o marido chegar do
trabalho e cuidar dos filhos? Isso nos reduz
tanto, mas tanto que milhões de vezes me senti uma má esposa porque as que se
encaixam no estereotipo sabem cozinhar como ninguém. Como uma
esposa, como uma mulher cheia de Deus pode ser reduzida a específicos atributos
e afazeres? Toda vez que tentamos nos reunir os temas são sempre os mesmos,
inclusive que a esposa sábia edifica seu lar. Mas vocês sabiam que, ao homem,
Deus mandou amar a esposa como CRISTO amou a igreja e se ENTREGOU por ela? É
aquele tipo de amor que mesmo quando a esposa não merece um centavo ele tem que
amar, amar, amar, se entregar, amar de novo, perdoar... mas como o foco fica
todo nesses papéis da mulher, os papeis dos homens ficam um pouco esquecidos,
ficam tao pouco comentados que parecem até leves, suaves, mas não o são. Não há
nada de errado em sermos melhores, sábias, cozinharmos, limparmos as nossas
casas, estarmos cheirosas, arrumadas, etc. Mas o que me deixa intrigada é por
que estou fora da caixa quando questiono isso? Por que me chamam de feminista
quando vejo assim? Estava uns dias desses atrás de um livro pra ler e vi um
cujo titulo era mais ou menos algo de mulheres do Reino (não lembro o nome). Acho
ótimo, mas desde que essas mulheres do Reino já tenham lido a bíblia toda e que
seus coracoes estejam sedentos por conhecer de cada detalhe da palavra, assim
como eu vejo meu marido estudar. Teologia não é so para homens, queridas do meu
coração! Teologia é estudar o nosso DEUS, então também é pra nós, mas nós temos
nos reduzido a um aglomerado de assuntos que refletem bem muitas questões sociais-politicas-culturais-machistas-patriarcais
e por ai vai...
Não sou expert nos assuntos tratados, mas em linhas bem gerais,
meu desejo é que em amor, submissão, doçura e honra aos nossos maridos/pais
possamos nos empenhar não apenas em como agradá-los, mas em como conhecer e
prosseguir em conhecer ainda mais nosso Senhor através da própria Palavra
estudada e praticada que não é apenas para os homens (sexo masculino), mas também
para nós MULHERES! :)
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