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Morrer também é tão bom quanto viver

Já me mataram muitas vezes nessa vida.
Todo mundo que passa nela nos mata e nos dá vida.
Eu que não enxergava nada dentro de mim, apenas o lado de fora, fui afogada por alguém que entrou para dizer o meu valor. Me afogou porque deixei de ver a realidade e passei a ser sufocada pela ilusão da minha vaidade. Que passa... e passa rápido demais.
Perdi o sorriso que tinha, a confiança e a essência em algumas coisas.
Eu que só enxergava a mim mesma, não mais o lado de fora, tomei um susto quando me mataram pela segunda vez. 
Que baque saber que eu não era tudo isso que achava de mim mesma!
Cada vez que mataram levaram uma parte minha.
Mas sempre sobra algo de valor que o outro não enxerga... vamos dizer que nunca conseguiram levar o maior desejo que eu tinha por algo que eu não sabia dizer o nome.
Eu sei o nome, não sei resumir em um só palavra, mas sei escrever algumas: leveza,  pureza, sinceridade, bom humor, calma e paz.
Por isso, hoje, eu entendo porque sempre amei:
- abraços longos, completos e apertados (daqueles que quando você está triste são neles que você pensa e corre atrás)
- beijos macios e calmos (daqueles que nenhuma palavra consegue expressar tão profundamente)
- olhos nos olhos (daqueles que expressam amor, admiração e carinho e desejo e o resto todo...)
- gente de verdade que expressa o que sente sem medo de ser sincero (não para magoar, mas para desnudar a alma)
- gente pura (que sabe o que é amar sem malícia)
- cheiro de gente (daquele que você conhece de olhos fechados, de pele, não de perfume)
- palavras profundas (daquelas que você queria dizer, mas o outro conseguiu primeiro)
- vento no rosto (respirar o vento, fechar os olhos e descansar)
- café na xícara (a mais bonita que tiver, não a mais cara, porque o simples é gostoso demais)
- refeições em família (porque traz segurança e estreita os laços de amor)
- finais de semana com a casa lotada (porque eu amo companhia em tudo)
- gente carinhosa e bem humorada (porque é delicioso receber carinho em forma de toque, de palavras, de gestos, de olhar e porque é delicioso ouvir o outro sorrir também.)
Se muita gente me matou nessa vida e levou muita coisa minha, imagine se eu nunca tivesse morrido. Ou talvez morrer, de vez em quando, pelas mãos de quem nos ama ou não, seja muito bom. Talvez eu tenha aprendido a dar valor ao que realmente importa. Talvez eu nunca tenha perdido a verdadeira essência. Talvez, talvez... Eu só sei que morrer pra nós é tão bom quanto viver pra os outros.

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